Aula de português do cursinho, vamos analisar a música "O Quereres", de Caetano Veloso.
- O que ele quis dizer com esse título?
- Ele transformou o verbo 'querer' em um substantivo através da adição de um artigo. Além disso, ele pluralizou o substantivo "querer" mas não pluralizou o artigo que o acompanha. Por que ele fez isso? Foi porque ele desconhece as normas da língua portuguesa? Pelo contrário, ele conhece muito bem as regras. Mas ele quis unir os muitos quereres dentro de uma única palavra, indicando que todos os quereres, todos os desejos formam apenas um.
E depois veio a análise da letra, que eu já não prestei mais atenção.
O importante é: faz isso na redação do Vestibular pra ver o que acontece com a tua nota. Faz. Duvido.
Eu odeio quando esse tipo de coisa acontece. Quando a pessoa ganha status pra falar o que ela quiser e ser aplaudida por isso. Não importa o que disse, só importa quem disse.
"Por que o cão é tão livre?
Porque ele é o mistério vivo que não se indaga." - Clarice Lispector.
Imagina o teu nome ali no lugar da Clarice. Quem colocaria essa frase onde quer que fosse? As pessoas leriam e iam dizer "e daí?" ou "que porra é essa? isso não faz o menor sentido".
Enfim, não importa o tamanho da besteira que a pessoa vai falar; se é ela que disse, é bonito.
 
 
Carnaval, Futebol...
Por que eu não gosto dissos?
Futebol, um esporte de contato, de resistência, que exige muito dos atletas, um bom condicionamento físico, enfim. O futebol como esporte é aceitável. Mais do que isso, é interessante, é legal. O que eu não consigo entender são os maus sentimentos que ele causa nos torcedores fanáticos. Brigas entre torcidas, brigas entre jogadores de times inimigos, briga entre jogadores do mesmo time. Como se aquela partida de futebol fosse realmente mudar a vida de alguém.
"É muito legal, chega a ser engraçado, tu vê no estádio um um cara gigantesco, todo musculoso, chorando abraçado na camisa do time". Engraçado com certeza é, mas porque é ridículo, não porque é legal (até porque não é legal). As pessoas guiam o seu humor no futebol. Gastam trinta reais para ficar duas horas pulando no estádio sem assistir ao jogo. "Mas quando se vai pro estádio não é pra ver o jogo, é pra curtir a festa". O que chamam de 'festa' é uma multidão de pessoas pulando e cantando alguma coisa ofensiva pro time adversário, com todos os palavrões do mundo, enquanto alguém joga cerveja pra cima, isso se não resolvem jogar mijo. E aí eu penso: BAITA FESTA, HEM?
Não, eu não vou simpatizar com futebol e sim, acho idiota se gastar com isso. Mas tudo bem, cada um cuida do seu. "Tá na chuva é pra se molhar", então eu prefiro ficar longe disso e não me encham o saco.
Outra coisa que eu não gosto no futebol é o pequeno detalhe de cada jogador de time grande ganhar milhões por mês. São pessoas sem instrução, o trabalho que eles fazem é extremamente desimportante, o futebol não é útil pro povo, pra sociedade. Ele é preciso porque se tornou um vício e é útil por puro entretenimento, trocável por qualquer forma melhor e mais cultural de entreter pessoas, filmes, livros, teatro. O futebol como existe hoje em dia é plenamente dispensável e isso é o que me deixa mais sem graça. Tanta gente venera esse esporte, chora abraçado ao símbolo do seu "time de coração" quando na verdade tudo isso é inútil. Me deixa triste, por um lado.
E eu vejo as brigas de torcidas, a polícia usando bombas de efeito moral, usando escudos, a pancadaria rolando... Como ainda não perceberam que é só penalizar o time em um campeonato a cada briga causada pela sua torcida? Se a torcida do time X briga com a torcida do time Y, os times X e Y são penalizados em pontos no campeonato ou alguma outra coisa que o torcedor se importe, porque o torcedor está CAGANDO se o time dele tiver que pagar uma multa, mas se importa se o time perder um único ponto no campeonato.


Agora, o Carnaval... Ah, o Carnaval... Se não fosse um feriado imenso... É comparável ao futebol, na minha visão, exceto pelo fato de o carnaval não ter nenhuma desculpa. O carnaval não é saudável como o futebol. Pelo contrário. É praticamente uma desculpa pra mostrar nudez, fornicação. É a destruição de toda a ética que a sociedade prega, é o sexo sem segurança nas ruas, é a nudez pública, os filhos indesejados, a AIDS. Para conter isso, distribui-se camisinhas e pílulas do dia seguinte. Não é o cúmulo? Gastam-se milhões construindo carros alegóricos, fantasias, tudo para um único desfile anual que vai receber uma nota sendo que todos já conhecem os vencedores.
O Carnaval também pode ser visto como uma forma de entretenimento pro povo. Que, assim como o futebol, poderia ser substituído por qualquer outra forma inteligente de entretenimento. Leitura, cinema, teatro, música, enfim. Na minha opinião, isso é uma perda de tempo e de valores, valores econômicos, políticos, sociais, éticos e culturais. Com o dinheiro que se gasta no carnaval e no futebol, seria possível melhorar a vida de muitas famílias.
E vendo essas coisas, eu sinto vontade de desistir da fé que tenho, como eu já blefei muitas vezes fazer. Na verdade eu realmente achava ter perdido a fé, mas eu estava errado. Ainda tenho fé nos humanos e na humanidade, apesar de odiar esse tipo de coisa e não entender como as pessoas podem colocar o lucro acima de seus semelhantes humanos. E chamam isso tudo de festa. Marketing.
 
 
Tudo começou numa bela e quente manhã em um final de semana qualquer. Acordei tarde e preparava meu café, o rádio ligado e começa uma propaganda que me chamou a atenção. Começava pedindo para imaginar um lugar com muito verde onde não haveria nada além de paz. Terminava convidando a visitar os apartamentos decorados do maior e mais novo condomínio fechado da cidade.
E essa propaganda foi o estopim pra eu decidir escrever este texto. Eu já estava um tanto revoltado com as propagandas, achando elas mais vazias do que o normal. Não sei se elas que esvaziaram ou se eu que abri os olhos para ver como elas sempre foram vazias.
No vídeo "A História das Coisas" que eu já postei, tem uma parte que diz:

"Cada um de nós nos Estados Unidos é bombardeado com mais de 3.000 anúncios por dia. Vemos mais publicidade em um ano do que as pessoas há 50 anos viam em toda a vida. Qual é o objetivo de um anúncio se não nos fazer infelizes com aquilo que temos? Por isso, nos dizem 3.000 vezes por dia que nosso cabelo está errado, nossa pele, nossas roupas, nossos móveis, nossos carros, nós estamos errados... mas tudo se resolve se formos às compras".

TRÊS MIL ANÚNCIOS POR DIA. Seja em televisão, rádio, outdoors ou encartes. E são extremamente espertos. Sabem como entrar na mente das pessoas, através da arte, como eu disse no post anterior. Eles usam a arte como uma ferramenta. Criam jingles e slogans para entrar na nossa mente, usam imagens e mensagens quase subliminares. Às vezes, é difícil de acreditar. Duas propagandas me deixaram recentemente muito perturbado.
 

Arte

24/01/2011

3 Comments

 
"Todo aquele que mergulhar nas profundezas de sua arte, à procura de tesouros escondidos, trabalha para erguer uma pirâmide espiritual que chegará ao céu."
- Kandinsky
Então, a arte.
Não sei se é do senso comum, mas eu vejo a arte como muitas coisas diferentes. Primeiro, eu acredito que todos tenham afinidade com alguma forma de arte. Por conseguinte, acredito que a arte deve ser algo prazeroso, pois deve fazer parte do artista. Depois, acredito também que a arte é uma ferramenta muito potente, muito intensa. Uma ferramenta com a capacidade de atingir o coração do público.
Música, dança, artesanato, pintura, escultura, cinema, teatro, circo, gastronomia, literatura, fotografia... Todas formas de arte capazes de passar ao público-alvo praticamente qualquer sentimento. Podem fazer as pessoas se unirem ou que entrem em guerra. Pode induzir as pessoas ao erro ou à solução.
Pegando por exemplo, a música. A música pode divertir, pode comover, pode ser usada como forma de protesto, pode ser a arma de uma verdadeira guerra. Ela também expressar amor, é claro. Ela também pode expressar banalização sexual, por que não?
E a futilidade se mistura com a arte. Vemos pseudo-artistas fazendo fortunas egoístas através de músicas vazias. Vemos uma supervalorização da imagem sem conteúdo. Vemos pessoas chorando clamando por seus ídolos fúteis. A que ponto chegamos? Uma arte vazia contando histórias fúteis e arrecadando milhões em cima de uma multidão de pessoas fracas.
E isso não acontece só com a música. Junto com ela vem a dança, que também se esvazia como um balão aberto. Também temos casos parecidos na literatura, na fotografia, no cinema, nas coisas mais acessíveis. Qualquer um pode escrever uma história sem conteúdo, mas poucos vão se prestar a esculpir uma estátua. Eu acho que seria bastante engraçado, na verdade.
Eu não me identifico com música, mas canções me conquistam pela letra. Eu não sou fã de uma banda ou de um estilo musical, eu me apaixono pelas letras. Letras que aproveitem a ferramenta que estão usando, que sabem utilizá-la. Talvez isso tenha alguma relação com a literatura, a arte que eu realmente me identifico. Desde sempre eu crio muitas histórias, mas sempre desistia delas, até o presente momento.
 
 
Antes do post em si, queria não ignorar o fato de hoje ser o primeiro dia de 2011. Espero que 2011 seja um ano cheio de descobertas e aprendizados, com muita sensatez e bom-senso (é difícil ter esperança quando acordamos com uma briga dos vizinhos do apartamento ao lado, mas vamos tentar).

Com 'evolução', eu digo a evolução humana. É quase difícil acreditar que somos animais, de tão distantes estamos dos demais, evolutivamente falando. Temos consciência, comunicação, raciocínio lógico. Poucas as coisas que ainda fazemos instintivamente. Tudo é pensado, tudo é planejado... Somos os únicos animais com essa capacidade. Certo, alguns animais têm uma organização fascinante, como formigas ou abelhas, mas nós evoluímos muito além disso, não tem como negar.
Mas o que eu me pergunto é... será que a inteligência é mais valiosa do que o instinto? Com a nossa inteligência, por muito tempo nos sentimos superiores aos outros animais, inclusive superiores aos próprios humanos. Brancos se acharam superiores aos negros, homens às mulheres. A inteligência traz burrice, enquanto o instinto... O instinto não progride, se mantém estagnado. Entretanto, não causa problemas. O instinto é estática e naturalmente puro e bom.
Talvez pensem que o instinto não pode ser bom... afinal os animais matam uns aos outros. Brincam com os animais indefesos que eles não conhecem e matam sem necessidade...
 
 
O maior presente de Deus é o perdão dos pecados.

O homem se distanciou de Deus através do pecado, e teve que se esforçar nas trevas com vergonha, dor e medo ao invés de viver na verdadeira alegria, felicidade e bênção. Mas agora tudo isso pode ser restaurado através do perdão dos pecados.
A verdade sobre o perdão dos pecados está escondida na Bíblia como um segredo.
A história do Capitão Naamã, que foi lavado de sua lepra, por exemplo, foi escrita para nos ensinar como nós podemos lavar nossos pecados.
A maioria das pessoas pensam que o coração de Deus é igual ao delas, então elas pensam que Deus irá aceitá-las se tentarem arduamente fazer algo para Deus. Mas tudo que vem do homem é falso e indigno diante de Deus, independente de quão lindo e bom possam parecer (Isaias 64:6).
Para Jesus entrar em nós, devemos receber o perdão dos pecados e nascer de novo.
- Pastor Ock Soo Park -


Esse é um panfleto que eu achei colado em uma parada de ônibus perto de casa. É a divulgação de um best seller com mais de um milhão de cópias vendidas em todo o mundo.
É difícil saber o que sentir diante de uma coisa dessas... Raiva? Medo? Pena?
Rir ou chorar? Piada de mal gosto...
Realmente não sei o que é pior, um pastor escrever um livro cristão de auto-ajuda inversa, porque mesmo se tu não acha que precisa de auto-ajuda, eles te dizem como tu é um lixo e como tu tá longe de Deus (como se houvesse distância), pra depois te dizer como ser perdoado; ou o tal livro ser um best seller com mais de um milhão de cópias vendidas. E ainda por cima, um best seller fodão estar sendo divulgado com panfletos colados proibidamente nas paradas de ônibus, ao lado de plaquinhas azuis dizendo "proibido fixar cartazes".
Eu não tenho muito mais o que dizer sobre isso...
É exatamente por isso que eu odeio a Igreja. Ela tem o dom de distorcer tudo o que é dito para o seu próprio benefício, sempre usando da ingenuidade dos muitos eus.
Com isso eu choro, eu dou risada, sinto pena dos que caem, raiva dos que criam isso, e medo da força que essa babaquice ainda tem. A força de mudar milhões de vidas usando apenas sofismas, contando mentiras e histórias mal contadas.


Diziam que eramos o centro do Universo inteiro. Estavam errados.
Diziam que a lepra era um castigo de Deus. Hoje ela é tratável.
Dizem estar mais próximos de Deus. Aposto que Ele também adorava criancinhas nuas.
Faturam bilhões pelas mortes que causaram no passado. E tudo é esquecido, tudo é perdoado. Deus é perdão, afinal.


"Você pode ter a fé que quiser (...) mas não seja idiota. Você pode me dizer que deposita  sua fé em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados."
Não esqueçam da razão. Não sejam ingênuos cordeirinhos de seu pastor.
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Deus te abençoe.

 
 
Seja a terceira pessoa.
Estar sempre no 'eu' é bastante interessante, tem seus lados positivos, mas acho importante saber trocar para a segunda ou para a terceira pessoa. Principalmente para a terceira.
A terceira pessoa não faz parte. Ela não é como eu ou como você. Ela é livre de preceitos. A terceira pessoa não está envolvida e tem a capacidade de julgar a situação, não importa qual. Ela não está influenciada por sentimentos momentâneos. Quando se pede um conselho, pede-se a opinião da terceira pessoa do singular. Mas, por que não ser essa pessoa?
Eu considero essa uma posibilidade muito válida. É quase uma mania minha.
Minha maneira de agir é baseada no que a minha terceira pessoa diz. Eu tento sempre agir de modo que a terceira pessoa aprovasse. Me visto pensando inconscientemente nisso. Escrevo pensando inconscientemente nisso.
Eu tento ser o meu próprio ideal. Eu tento ser o que eu queria que alguém fosse pra mim. Quando descobriram isso, me chamaram de narcisista. E, de certo modo, não discordo. Meu ideal é ser alguém que, caso eu conhecesse, me apaixonasse.
Ser no outro, eu.
Realmente, parece muito narcisista. Parece muito "eu me amo". Mas esse não é o meu ponto. Não é o meu objetivo. Eu não me amo, mas quero ser alguém que eu amaria. Quero ser o meu ideal.
E quando escrevo, a terceira pessoa são os leitores. Eu escrevo de acordo com aquilo que eu gostaria de ler.
E quando eu me visto, a terceira pessoa são todos aqueles que vão me ver. E eu me visto de acordo com aquilo que eu gostaria de ver.
E quando eu falo, falo aquilo que eu gostaria de ouvir.
Quando eu faço, faço aquilo que gostaria que fizessem.
 
 
Aos senhores leitores, comunico que através deste dou início a uma nova categoria de post: Vídeos!

E este primeiro vídeo, "a história das coisas", mostra os problemas sociais e ambientais do estilo de vida consumista, apontando os problemas e propondo soluções para reverter este quadro, porque as coisas nem sempre foram assim.
"Oh! 21 minutos!"
Valem a pena. Cada um deles.

Sintam-se livres para os comentários.
 

Deixa ser

04/11/2010

1 Comment

 
... deixa estar
Existem muitas maneiras de pensar


Não importa como, o objetivo de todo mundo é ser feliz. Alguns através do dinheiro e do emprego, do sucesso financeiro, outros ficam felizes cozinhando ou cuidando do jardim, mas todos sempre procuram a felicidade.
Talvez eu não goste de uma calça skinny, mas muitas pessoas se sentem felizes usando uma. Eu posso tolerar. Muitas outras pessoas gostam de usar uma calça skinny verde-limão. Eu posso achar absurdo. Mas ainda existem outras pessoas que usam skinny verde-limão, um tênis multicolorido e fazem chapinha. Eu posso achar inadmissível.
 
 
Existe uma coisa que me deixa com uma agonia instantânea: quando as pessoas falam convictas da certeza quando na verdade não sabem sobre o assunto.
Esse é, no meu ponto de vista, o pior erro. Simplesmente porque eu não consigo enxergar um motivo pra ser assim. Por que achar que o que eu sei é a verdade total e absoluta?
Isso sempre acontece com política, por exemplo. As pessoas falam como se soubessem mais que os próprios políticos. Como se soubessem mais do que alguém que passou a vida inteira se dedicando a entender a política. O clássico "ensinar o padre a rezar a missa". E, é claro, duas pessoas oniscientes defendendo pontos diferentes, as vozes sempre aumentam, os xingamentos aparecem, e todo mundo sempre diz ter a razão (antes que digam qualquer coisa, não, eu não estou me excluindo disso).
E todos somos assim, na verdade, pelo menos em algum aspecto. Talvez não sobre política, mas quem sabe religião ou economia. Eu pensei bastante sobre isso ultimamente. E eu tomei uma decisão: